segunda-feira, 21 de junho de 2010

Orgulho e Preconceito

O universo homossexual brasileiro é muito complexo em questões de pensamentos e seus reflexos em gestos; posicições políticas, emocionais e pessoais estão notoriamente fora de padrões, o que sugere um grupo (em maioria) despolitizado, não-engajado e, algumas vezes, preconceituosos, inclusive entre si. Baseado em pesquisas sobre psicólogos, dados estatíscos, posições pessoais e de instituições, considerações importantes devem ser analisadas.
A sociedade gay do Brasil precisa URGENTEMENTE de diretrizes pela as quais lutar. E, mais urgentemente ainda, de formação política para entender a si mesma, aos seus iguais e a seu papel na sociedade. Não é raro ver, por exemplo, gays tratando de forma preconceituosa os gays passivos ou os mais efeminados, assim como não é coerente a discriminação que ocorre a respeito dos transgêneros e transexuais. Atitudes como esta mostram uma intolerância ridícula de um meio que, para não se sentir oprimido, escolhe por ser o opressor, criando hierarquia nos preconceitos - mentalidade egoísta e arrogante.
Através de leitura de blogs e de manifestações individuais, pode-se notar como os homossexuais brasileiros se colocam em relação a dados que os acuse. Um destes dados foi o alerta de que a AIDS ainda é motivo para se preocupar entre os homossexuais. Em vez de aceitarem isto como um alerta, surge em torno do tema uma agressividade em provar que o mesmo ocorre no grupo heterossexual. A questão é: e daí? Não importa em quais grupos ocorram, está ocorrendo mais nesse e esta é a questão, e dentre os comentários, há xingamentos de gays para outros gays, usando termos como "viadinho" e afins - incompreensível.
Esta agressividade foi vista novamente em outro tópico que falava sobre pomiscuidade. Dados apontavam que homens que mantinham relações sexuais casuais com outros homens eram de 77%, enquanto os 'outros que faziam sexo casual' eram apenas de 35% (aproximando os números). No único comentário com discernimento, comentava-se que a pesquisa deveria levar em consideração a falta de apoio que os gays têm de efetivar seus relacionamentos perante a sociedade. Os outros, entretanto, não passavam de pomposas manifestações indignadas com esses dados! Como sempre, a perspectiva de se tratar de uma 'campanha heterossexual' surgiu, comparando sempre os dois. Comparações são sempre válidas, todos concordam, mas hipocrisia em dizer que os dados mentem não seria cara-de-pau demais, visto que é sabido por todos o quão procurados são os 'fuckbuddies'?
Concluindo, pode-se notar claramente que o grupo GLBTT Brasileiro, especialmente os homens, não tem articulação (apesar de não faltarem grupos) e nem conscientização de seus espaços, deveres e poderes. Enquanto uns sofrem com a AIDS, outros dizem que isto é 'fábula' de heterossexuais, em vez de averiguar e se precaver. Enquanto alguns são assassinados por serem gays, outros caçoam e 'tiram onda' de algum gay efeminado, ou de uma lésbica masculinizada. Uma minoria com complexo de grandeza e arrogância, que trata de sexo, relacionamento e política com desleixo, mas que à noite, essa minoria, se sente vazia e triste... e, como sempre, não sabe por que.

*Obviamente aqui eu falo apenas de uma parcela deste grupo. O texto é uma crítica, mas é para ser levado como forma de reflexão, para asim nos tornarmos mais pró-ativos e mais conscientes em relação a nós mesmos.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Qual frio?

Sempre tem memórias que ficam na nossa cabeça e ninguém sabe, exatamente, por que aquilo está ali. E, das que mais ficam, vêm aquelas que têm alguma relação com 'alguma relação'; aquela historinha mal-terminada que todo cidadão de bem (ou não) possui.
E dentre tantos outros tempos que passaram, e dentre outras tantas preocupações e pazes que já vieram, vem aquele momento em que você vê uma foto, ou um relance, ou uma informação de 24 quilates... e aí parece que seu corpo congela!
Parece que o sangue desce da cabeça, aquele formigamento sobe, o coração acelera e algo na sua barriga se move.
Esses 5 segundos ad infinitum são traumáticos por mais 5 segundos. E aí vem aquela vontade de comer um chocolate, de fumar, de se vingar (em certos casos, por que não?) e, especialmente, a vontade de se distrair o mais rápido possível.
A distração forçada é algo cruel, muitos sabem: cada newton de força gasto para se distrair, é um a mais na força e no tempo em que a lembrança chega. Um ciclo vicioso que se auto come e se auto engorda.
E, neste suceder, eis os meios de fim: há quem chore; há quem quebre algo; há quem morra e, aglutinando estes, há quem viva.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Agora faltam 365 dias (ou ano que vem será bissexto?)

Pois bem, Brasil, ao som de Lady Gaga eu aqui declaro encerrado o meu aniversário. A comemoração contou com um almoço em Família no Pier. Lugar belo, com uma bela visão para o lago Paranoá: bom para almoçar, fazer compras, e para fumar alguns cigarros curtindo a vista e a temperatura agradável da tarde de um domingo.
À noite, eu e minha prima fomos assistir ao jogo Brasil X Holanda, da liga mundial de vôlei, e eis o tema de hoje:

No dia dos Namorados o Brasil enfrentou o mesmo adversário; perdeu de 3 x 0 sets. Hoje, porém, graças à minha presença (e de todos os outros que não foram ontem para o estádio), ele virou! O Brasil venceu de 3 x 1 sets, formando um jogo ótimo de se ver e curtir.
Nossos representantes começaram tímidos, porém determinados, passando por cima da perda anterior e não se dando ao luxo de fraquejar e aceitar quaisquer erros. O bloqueio funcionou melhor do que nos jogos passados, porém ainda deixando a desejar; alguns desencontros e antecipações acabaram por estragar certas jogadas. Os ataques e saques foram excelentes, em especial os de Lucas e Visoto, que se destacaram bastante neste quesito. E, claro, não se pode deixar de falar da bela participação de Giba, Murilo e Rodrigo, nossos queridinhos, que com toda a sua experiência e competência não fizeram nada feio. E, para não ser injusto, Bruno e Mário Jr. arrasaram nas nossas defesas.
O time em si pareceu demais concentrado e em harmonia. Faltando pequenos ajustes individuais dos jogadores, não há dúvidas de que continuaremos tendo uma seleção de vôlei masculina competente e que nos enche de orgulho.
Orgulho que, por sinal, foi explícito pela grande torcida no estágio. Pessoas apreensivas, que acreditavam que com gritos, buzinas, olas e palmas poderiam transmitir força para nossos jogadores. Como nunca tinha ido ver um jogo deste, não acreditava, mas não posso negar: nossa energia foi recebida em totalidade.

Ps.: Deixo aqui meu desabafo contente de como fiquei feliz com todas as ligações e mensagens de carinho por este dia que se passou. Apesar de meio tristinho, essas pequenas atitudes sempre marcam meu rosto com um leve (ou pesado) sorriso. Grato a esses e estes.

domingo, 13 de junho de 2010

(re)Começando

Boa noite!
Hoje é um dia de começos. Começando, é meu aniversário; há 21 anos eu nasci. Recomeçando, é a estreia deste blog, o qual pretendo que seja mais duradouro que seus antepassados (os coitados). Além disto, este aparelho terá a função de, além de registrar algumas ideias, sobre temas que acho importante me posicionar, tanto para expô-los, como para treinar escrita, desenvolver internamente mais meus pensamentos. E, como me mudei para Brasília há pouco, haverá alguns registros comparativos entre regiões, costumes, natureza... enfim, qualquer antro, geo ou sociologia que me desperte interesse.

Falando um pouco sobre mim:
Sou natural de Belém, PA, e tenho muito orgulho nisso. Tenho amigos e família lá e, apesar do clima quente e úmido nada agradável (ao meu ver), é uma cidade bela, com riqueza cultural e natural imensas. Pena que os políticos tenham feito tão pouco para o real desenvolvimento da região. Belém, que nasceu com a inteção de proteger os arredores das invasões externas, conta com muita influência portuguesa (sendo um dos que mais falam corretamente o português, de acordo com a norma culta), indígena e negra, revelando ritmos, culinária e costumes únicos, como o carimbó, maniçoba e o círio de nazaré, respectivamente.
Morei, também, 07 anos em Recife, PE. Sou encantado por esta cidade, e, como saí de Belém com 14 anos, considero Recife como a minha cidade. Lugar lindo, com praias belíssimas ao redor, onde fiz mais uma generenosa porção de grandes amizades; onde dei meus primeiros passos profissionalmente falando. São muitas histórias e experiências para se resumir em poucas linhas. Lugar muitas vezes hipócrita, onde os poderosos ditaram costumes, política e opressão durante muito tempo, o que gera reflexos na atualidade.
Me mudei em Abril deste ano para aqui, Brasília. Aqui, já estou dando meus primeiros passos para voltar às minhas atividades acadêmicas. A fase de adaptação ainda está sendo estranha, especialmente por disparidades grandes entre o que eu vivia e o que eu estou vivendo. Mas em toda mudança, há renúncias. Estou esperançoso e ansioso para colher estes frutos.

Para terminar, gostaria de fazer algumas considerações.
Em especial a minha mãe. Sem muitas delongas, mas à ela estão acopladas minhas consquistas e meu tudo.
Aos meus amigos que, por hoje, estão todos longe. E que sinto toda a saudade que alguém possa sentir.
Ao meu pai que, há pouco tempo, comecei a admirá-lo e querê-lo bem ainda mais do que antes.
Ao meu irmão, minha cunhada e meus dois sobrinhos, pois eles são meus parceiros de hoje e, principalmente, de amanhã.
Aos meus tios e tias, primos e primas. Aos primeiros, por sempre me amarem e me ajudarem. Aos segundos, por todas as lembranças e à ligação que nossa educação nos proporcionou.

Mais uma vez, boa noite.